
Vc já observou como nós, seres-humanos, temos uma enorme facilidade em traçar um perfil das pessoas sem muitas vezes conhece-las? Muitas vezes cremos que aqueles mais quietos, pacificos,calados, são as pessoas teoricamente mais faceis de lidar.
Ao passo que os falantes, fechados,caras-feias, escandalosos são os problematicos. Nem sempre o exterior reflete o interior. Tenho comigo uma lição que aprendi quando tinha por volta de 7 anos de idade. Minha querida mãe, influenciada pelos concelhos de uma tia muito próxima, enviou a mim e meu irmão do meio, a um internato católico na região de Campinas, São Paulo.
Apesar da pouca idade, tenho lembranças muito claras na minha mente do tempo em que estivemos neste lugar. ( cerca de um mês ) Me recordo que quando chegamos fomos muito bem recebidos pela madre superiora, ela disse para a minha mãe que seriamos muito bem tratados e que não havia motivos para preocupação. Ledo engano! Quando nos despedimos, a freira me pegou pela orelha e me disse: Agora voce receberá a educação que merece!
Comecei a observar que todos os meninos tinham as cabeças devidamente raspadas, o que me aumentava mais ainda o pavor. Logos fomos, eu e meu irmão enviados a uma outra freira que se encarregou de rasparnos a cabeça. Mas porque estou entrando nesses detlhes? Para que vc amigo leitor tenha uma noção do lugar e possa entender um pouco do personagem que nunca saiu da minha mente. O lugar era coberto de regras. Horarios para tudo.
Obrigatoriamente a cama deveria estar bem arrumada. Cada coisa em seu lugar. Se não estivesse de acordo, após a vistoria, eramos obrigados a voltar e fazer tudo de novo. Quando chegamos em um ambiente desconhecido, como escolas, trabalho ou qualquer outro lugar que possua um agrupamento de pessoas, sempre procuramos nos aproximar daqueles que aparentemente nos passam a idéia de maior acessibilidade, mas as vezes nos enganamos. Havia um menino que de pronto eu disse a meu irmão: "Não se aproxime dele!
Eu o vi gritando com outro menino!" E justamente esse menino, um dia em que estava debrussado em uma cerca que dava para uma estrada de terra, se aproximou e começou a conversar comigo. A principio o ignorei. Mas ele sem concessões, começou a mostrar-me como funcionava o lugar, inclusive as maneiras de enganar a madre...rsrsrsrs. Eu passei a ouvi-lo e pude perceber que ele não era mal, eu é que havia sido mal com ele, ao julga-lo sem saber. Na natureza, as plantas e alguns animais usam as cores mais lindas e relusentes como forma de esconder o veneno e atrair as suas presas.
Enquanto que as plantas menos expressivas no quesito beleza são as que possuem grandes propriedades medicinais capazes de salvar vidas em casos de emergencia. Assim muitas vezes tomamos conclusões precipitadas sobre as pessoas, sem antes mesmo conhece-las. Já dizia uma senhora lá das Minas Gerais: "Quer conhecer alguem meu filho? Coma um prato de sal com ele!"
Ora,se é sabido que para se comer um prato se sal se leva tempo. Ou seja há que se conviver com a pessoa, para então conhecer-la de verdade. Outro dia quando conversava por telefone com um companheiro, ele me disse que quando me conheceu, me "achou" metido..rsrsrsrsrs..e muito falante...essa é boa! Mas depois viu que se havia equivocado.
Isso me fez refletir em quantas pré-avaliações eu já havia feito e em quantas eu tambem me havia equivocado.
0 comentários:
Postar um comentário